quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Sou muito exigente?

Quando estamos em busca de uma pessoa para nos relacionarmos, é natural que utilizemos determinados critérios de seleção. Ter critérios é algo compreensível e esperado, já que evidentemente ninguém quer estar com “qualquer um(a)”. Há aqueles que selecionam pela aparência física, como, por exemplo, os homens que buscam mulheres loiras ou as mulheres que gostam de homens com cabelos compridos. Há outras pessoas que procuram pretendentes por características que vão além da aparência. Estas geralmente querem se relacionar com quem tem determinada formação, mora em determinado local, tem certas características de personalidade. Há pessoas, no entanto, que transformam seletividade em uma exagerada exigência. É justamente sobre este assunto que tratarei hoje. Isso porque venho recebendo muitas mensagens de usuários que nos escrevem fazendo a pergunta que dá título a este artigo.

Este artigo é, então, uma tentativa de ajudar todas essas pessoas a refletir e a responder a própria pergunta. Antes de qualquer coisa, é importante ressaltar que os tais critérios de seleção devem funcionar apenas como preferências. Posso, por exemplo, preferir homens morenos, mas isso não me faz descartar, imediatamente, qualquer loiro que me apareça na frente. Assim sendo, é fundamental que ninguém fique preso a determinadas características específicas do outro e o dispense caso o pretendente não tenha uma delas. Mas o que faz com que uma pessoa cruze a fronteira da seletividade e se torne tão exigente ao buscar um parceiro? Vejamos algumas possibilidades.


Relacionamentos: desejo x temor

Há muitas pessoas que, embora desejem verdadeiramente ter um relacionamento, têm medo, por motivos diversos, que isso aconteça. É comum, então, que, para elas, a exigência exagerada funcione como uma espécie de “escudo”. Ora, como ninguém é capaz de se encaixar em critérios tão rígidos, a pessoa continua sozinha, evitando, portanto, que se depare com aquilo que teme. Minha primeira sugestão é que não apenas os próprios critérios, mas principalmente os próprios temores sejam objeto de reflexão. Antes de buscar alguém para se relacionar, é necessário saber se o desejo de ter uma relação é maior que os temores que a simples ideia de se relacionar podem despertar.

Idealização excessiva

Por trás de uma grande exigência, geralmente está uma grande idealização. Uma pessoa que tem parâmetros rigorosos demais na escolha de um parceiro costuma estar em busca de alguém que simplesmente não existe. Essa busca impossível evidentemente gera muitas frustrações. Isso acontece porque, em todo início de relacionamento, há esperanças de o parceiro ser finalmente a pessoa “perfeita” tão procurada. Aos poucos, no entanto, o outro se mostra humano, com falhas, contradições e divergências de opiniões. Quando a idealização é intensa, a decepção acaba sendo enorme. Aos relacionamentos, o dito popular “quanto maior a altura, maior o tombo” se adéqua com perfeição. Por isso, sugiro que, antes de buscar um parceiro, sejam avaliadas as próprias expectativas. É importante saber se elas estão de acordo com a realidade, ou seja, se você busca uma pessoa que “existe”, ou se há um excesso de idealização. Caso haja, é preciso rever os próprios conceitos e usar parâmetros possíveis na busca de um(a) companheiro(a).

Relacionamentos não são algo objetivo

Outro fator que leva à exigência exagerada é quando os relacionamentos são tratados como fossem algo puramente objetivo. Em uma interessante mensagem que recebi recentemente, uma usuária do site se referiu a essa objetividade ao dizer que, ao buscar pretendentes, se sente “analisando currículos”. É fundamental lembrar, contudo, que relações têm muito mais aspectos subjetivos do que objetivos. Por esta razão, não basta que o pretendente cumpra determinados “requisitos” para que a relação dê certo. Mais do que isso, são necessários certos itens subjetivos, como a empatia entre ambos, uma boa conversa, a vontade de falar e estar com o outro, a sensação de que um combina com o outro, entre tantas outras. Se pensarmos bem, quantas vezes nos interessamos por pessoas que pouco têm em comum conosco? Por tudo isso, é importante não se prender tanto a critérios objetivos pré-estabelecidos. É sempre recomendável dar uma chance também àquele(a) que tem características um pouco diferente da que você pensou.

Usando um site como aliado

A existência de critérios de seleção objetivos demais, que levam à exigência exagerada, em parte se dá pelo tipo de uso que muitos usuários fazem do site. Ao se cadastrarem, todos são convidados a preencher um perfil em que constam as próprias características e as características da pessoa buscada. Tudo isso serve para facilitar a busca e não para torná-la exageradamente rígida. Muitos usuários, no entanto, confundem as coisas e acabam sendo rigorosos demais ao buscarem pessoas exatamente com as características desejadas. O que deveria servir apenas como um parâmetro de busca se torna, assim, uma série de critérios inflexíveis. Isso os leva a tornar a busca artificial, tirando toda a naturalidade que ela pode ter. Para solucionar esta dificuldade, sugiro que você pense em como se dá a conquista fora da Internet. Ao conhecer alguém que te interessa, você sabe como essa pessoa escreve? Sabe, de imediato, se ela pensa em se casar e ter filhos? Sabe qual é a religião do outro, os locais que ele frequenta, sua formação acadêmica, sua renda mensal...? Imagino que você deva ter respondido “não” para a maioria das perguntas. Se fora da Internet todas essas características podem ser importantes, mas não são fundamentais para que você se interesse ao menos por conhecer o outro, porque, no site, elas funcionam como um critério para descartar pretendentes? Sugiro, então, que o mecanismo de busca do site, bem como os itens do perfil, sejam usados como aliados e não como fatores que limitem demais a procura por um parceiro a ponto de torná-la uma missão quase impossível.

Feitas todas essas reflexões, termino com uma sugestão final, que resume tudo o que vimos aqui: ao buscar alguém para um relacionamento, avalie se você realmente deseja ter uma relação, evite idealizar demais o outro, não trate a busca por um parceiro como uma “seleção de currículos” e, principalmente, use todos os recursos do site a seu favor. E boa sorte!
 
Dra. Mariana Santiago de Matos - Psicóloga
http://msnencontros.parperfeito.com.br/Artigos/opshow/articleid805/p-1/f-1/n-1/?orig=1468

Um comentário:

  1. Gosto muito dos artigos de ótima qualidade do seu Blog. Quando for possível dá uma passadinha para ver nosso Curso de Informática Online. Daienne.

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